Você entra em uma daquelas semanas que parecem não ter fim, e quando consegue um tempo...(complete).
Como pode alguém ter achado o novo do Hypocrisy tão genial assim? Gente, é mais do mesmo. Infelizmente entrou na zona de conforto. Nada de novo, é como pegar todos os álbuns anteriores, do Penetralia ao A Taste Of Extreme Divinity, colocar no liquidificador, bater e servir. Claro que durante a audição há momentos sóbrios e boas passagens, mas no geral soam como covers de si.
E o novo do Ghost, Infestissumam, veio para confundir (eu li isto em algum lugar), menos 'rock', mais atmosférico (ou lisérgico, como sugeriu meu amigo). Grata surpresa, enquanto todos esperavam uma cópia do antecessor, BUM! Chute no saco para muitos, aclamado por tantos outros.
Com 17 anos de estrada, a banda Vulture, original de
Itapetininga – SP, já umas das mais respeitadas do metal nacional. Depois de
presenciar a um show brutal da banda no dia 30/03 no Tribo’s Bar, este que vos
escreve achou que seria justo escrever algo sobre o disco mais recente
“Destructive Creation”.
O som do Vulture é calcado no Death Metal, porém o grande
destaque fica para o uso de passagens com harmonias nas guitarras, que dão um
tempero único e que já são marcas do som característico da banda, porém, não
confundir com o que é feito por bandas de Melodic Death Metal, a linha seguida
aqui é mais tradicional, como um cruzamento do Metal Clássico com o Death Metal
oldschool. Estão presentes também alguns elementos reminiscentes do Thrash
Metal, com muitas mudanças de dinâmica e andamento, sempre evitando do disco
cair num marasmo e mantendo a experiência de audição sempre interessante
durante todos os pouco mais de 50 minutos de gravação.
O ponto mais interessante do álbum fica por conta da
excelente faixa “Carrasco de si mesmo”, onde o Vulture demonstra mais uma vez
sua capacidade de escrever grandes músicas na nossa língua pátria, o que é algo
extremamente complicado em se tratando de Metal extremo. Inclusive durante o
show supracitado, a música que mais obteve reação da plateia foi a “Abençoado
seja o Homem Ateu”, com grande parte do público cantando junto a letra, sendo
um dos pontos mais altos do show.
Resumindo, “Destructive Creation” é um mais um trabalho que
mantém o alto patamar de qualidade que o Vulture trabalha durante tantos anos,
e que deveriam ser melhor reconhecidos por isso. E caso a banda vá tocar perto
de sua cidade, simplesmente vá, um show obrigatório para os amantes de Metal.
O heavy metal talvez seja o
gênero musical com a maior “síndrome de underground” dentre todos os gêneros.
Ser etiquetada como “vendida” ou “comercial demais” é a maldição de qualquer
banda que comece a ganhar uma projeção maior do que tocar nos mesmos barzinhos
de sempre da região. Com isso em mente, é bom deixar claro logo de início:
”Inner Monster Out”, terceiro álbum da banda de Santos-SP “Shadowside” é um
disco voltado para o sucesso comercial. Todos os detalhes da produção seguem a
cartilha de como vender bem no Metal moderno. Desde as participações especiais
de nomes consagrados, passando pela produção limpa e polida, o grande trunfo de
usar uma garota como vocalista, as guitarras em afinações baixa e os refrões
“pula-pula”, tudo está lá, perfeitamente embalado e pronto pra exportação.
Mas, diferentemente da
grande maioria de bandas que seguem esse caminho, o Shadowside consegue, em
Inner Monster Out, um resultado de qualidade surpreendentemente boa. A começar
pelo truque de usar uma “musa” como vocalista, a grande sacada é não partir
para o lado operático/diva que muitas bandas usam por aí, os vocais aqui são
agressivos, potentes e seguem muito mais a linha do metal tradicional, sendo o
destaque extremamente positivo do disco. Os trabalhos na guitarra também
merecem atenção, pois apesar do timbre e dos riffs mais “modernosos”, os leads
e os solos têm uma pegada bem mais tradicional, que remetem aos nomes mais
clássicos do heavy metal. A cozinha também é bem funcional e precisa, tanto o
baixo quanto a bateria estão lá pra dar a sustentação e o peso necessários para
o desenvolvimento das músicas, sem tirar ou competir espaço com as guitarras e
os vocais, que são claramente os pontos focais da produção. Como nem tudo na
“cartilha do sucesso” pode ser contornado, as participações especiais dos
vocalistas de Dark Tranquillity, Soilwork e Dream Evil soam como pura jogada de
marketing, e não acrescentam muito ao resultado final. A produção também peca
às vezes pelo excesso de “polimento”, mal que aflige grande parte das bandas
atuais, porém não chega a comprometer ou deixar o disco “sem alma”
No fim das contas, Inner
Monster Out é a prova de que dá para se buscar sucesso comercial sem abrir mão
da qualidade, e que dá para imprimir um pouco de autenticidade mesmo em alguns
clichês da indústria atual, sem precisar ser chamada de “vendida” ou “comercial
demais”. E não me surpreenderei se Shadowside se estabelecer como nome
constante nos grandes festivais de Metal por aí.
Immemorial é o quarto disco da banda de Osasco, Mythological Cold Towers. Na ativa desde meados da década de 90, sempre se mantendo fiel ao estilo Doom/Death Metal, com letras abordando antigas civilizações pré-colombianas, Mythological Cold Towers conseguiu cativar um público fiel no underground paulistano e é figura carimbada nos festivais de Doom/Gothic pelo país.
Com pouco mais de 43 minutos, o disco em questão consegue escapar da grande armadilha comum a tantas bandas do gênero que é a tediosidade. Afinal, manter um som arrastado e denso o suficiente pra manter o ouvinte ligado por esse tempo não algo fácil de conseguir, principalmente se for uma pessoa desacostumada com o gênero. Mas Immemorial possui qualidade suficiente para não cair no marasmo.
O grande destaque do disco fica por conta dos teclados. Discretos, eles permeiam o disco com uma ambientação claustrofóbica e envolvente, dando uma sensação de unidade ao disco como um todo. O uso de declamações misturadas aos vocais guturais também é um fator que trás uma dinâmica inesperada a algumas faixas. Como não poderia deixar de ser, o “motor” da banda são os riffs de guitarra, arrastados e densos, que dão o tom para todas as músicas do disco (esqueça passagens acústicas ou sinfônicas, o disco é repleto de guitarras distorcidas).
Immemorial é um disco que tem tudo para abrir as portas do cenário internacional para a banda, a produção do disco é boa, a qualidade das composições deve agradar até aqueles ouvintes mais casuais que não são tão ligados ao Doom, e a originalidade dos temas das composições também é algo pra se chamar atenção.
Para aqueles que nos acompanham há pouco tempo, o blog Maringuaça surgiu com o intuido de divulgar o nosso podcast. Aqui você entende os motivos da pausa em nossas gravações.
Aproveitando as tradicionais reuniões de fim de ano, foi na última semana de dezembro que decidimos abrir os microfones, convidar os amigos e tomar umas cervejas.
O resultado deste encontro você pode conferir no player abaixo. Também existe a possibilidade de baixar o arquivo aqui.
Para os Headbangers paulistanos o ano de 2013 começou de uma maneira excelente.
Duas noites com duas bandas seminais para o metal nacional, e com um preço que eu considero camarada nas entradas.
Na primeira noite o Torture Squad fez um set mais extenso quando comparado ao segundo dia. A banda que, após a saída do vocalista Vitor Rodrigues, continua como um trio, com Castor e André Evaristo dividindo os vocais, sendo que o segundo faz a maior parte deles. O Amílcar continua no controle das baquetas.
A qualidade e o comprometimento destes caras é impressionante, desde sempre mantendo o profissionalismo, o carisma e a competência. Nas duas noites tivemos uma amostra do Thrash Metal devastador que fazem.
"O Krisiun está aqui" e foi assim que o próprio Alex Camargo anunciou a entrada da banda na primeira noite. Diferentemente do que foi anunciado, o set list foi bem parecido em ambas as apresentações. Já falamos deste trio gaúcho por aqui e eles permanecem na turnê do The Great Execution, que adicionou cadência e peso ao som do trio.
O Death Metal em seu estado brutal, esmagando os ouvidos de todos que estavam ali presentes, como um rolo compressor. Isto é um show do Krisiun.
Salvo algumas pequenas falhas, o som do Sesc esteve de ótima qualidade.
Parabéns às duas bandas e também aos idealizadores do evento, o público headbanger precisa de mais ações como esta, em locais dignos como este.
Existem discos que durante o primeiro minuto de audição já indicam que são obras originais,
as vezes até revolucionárias, que te fazem pensar “mas como é que ninguém nunca
fez isso antes?”. Em outros casos, existem aqueles discos que tentam ser
revolucionários, mas que te deixam aquela impressão “inventaram demais,
acabaram estragando o som da banda”. Indo na contramão destes casos, existem
aqueles álbuns em que a banda parece querer dizer “É isso que a gente sabe
fazer, é isso que a gente gosta de fazer. Se você gosta, ótimo. Se não gosta,
problema seu.”
Blood for the Master, quinto álbum da banda norte-americana
Goatwhore, claramente faz parte do último caso. Mesmo não possuindo nada de inovador ou revolucionário, é um disco que
agrada a qualquer fã tradicional de metal extremo. Aliando elementos clássicos
do Black/Death Metal com a urgência e velocidade do Thrash Metal, o disco traz
pouco mais de 38 minutos de pancadaria ininterrupta. Um som direto, coeso,
pesado e embalado numa excelente produção.
O grande destaque fica na facilidade da banda em transitar
por diferentes estilos, indo de trechos claramente inspirados no Thrash Metal
americano até trechos reminiscentes do Black Metal norueguês em questão de
segundos, com uma naturalidade que não é fácil de se conseguir.
Lucas Peixoto.